Desde criança que “já sinto a Pateira”. Lembro-me com saudade da festa do Emigrante que enchia as margens da Lagoa de gente curiosa que vinha espreitar as acrobacias dos aviões e dos paraquedistas. Lembro-me do ambiente festivo que durante dias dava cor e alegria a Fermentelos, que se enchia de orgulho para falar da “sua” Pateira. Quem não se lembra do tão esperado fogo aquático nas águas da Lagoa Adormecida (assim carinhosamente apelidada)?
Não me esquecerei certamente de outra tradição dessa festa que a mim me agradava particularmente: o almoço em família nas margens da Pateira. Lembro-me ainda que fazia parte do programa a apanha do moliço e de certo que isso ajudava a tornar possível a realização de actividades desportivas como a canoagem (em tempos que já lá vão).
Lembro-me também que há alguns anos atrás havia muito quem se aventurasse a mergulhar naquelas águas, porque nessa altura a água não era tão poluída e não estava invadida de
jacintos!
Infelizmente tudo isto não passa de um exercício de memória. Hoje a Pateira está esquecida e vai-se escondendo atrás dos jacintos que se alastram sem dó nem piedade. Muito se prometeu no passado, muitos se promete no presente, e no futuro? Será que a Pateira vai continuar a viver de promessas? Aliás, diria antes a morrer de promessas.
Se nada for feito hoje, amanhã não haverá Pateira.